quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Macunaíma 2010, candidato certo

Tendo em vista o resultado das eleições municipais em todo país, acho que tenho o candidato para a sucessão presidencial. É Macunaíma, o herói imortal de Mário de Andrade. Com ele não haverá problemas étnicos e raciais, pois ele é ao mesmo tempo branco, negro e índio. Adapta-se a qualquer situação e tem uma qualidade primordial: não tem nenhum caráter. É um ícone da política brasileira dos nossos dias.
Antes que alguém me encoste no muro, esclareço que não me refiro especificamente a Guarulhos. Aqui, apesar da baixaria da campanha (que já faz parte do jogo) e da gastança com panfletagem e carros de som (que parece ser inevitável) dos dois finalistas, pelo menos a campanha desenvolveu-se entre os dois grandes partidos brasileiros, PT e PSDB. Venceu o primeiro, ponto para Lula. No resto do país, porém, nenhum deles teve grande performance.
Na maioria dos municípios a vantagem foi do PMDB. Ora (dirão os governistas), o partido faz parte da base de apoio, a vitória foi nossa. Os oposicionistas, porém, lembram que na maioria dos casos o PMDB encarou de frente e derrotou o PT.
Na capital paulista, a maior e mais importante cidade do país, o partido de Quércia ajudou a derrotar dona Marta, menina dos olhos de Lula. E ainda, o ex-governador afirmou que apoiará José Serra para a presidência e que é importante derrotar o PT. Qualquer que seja o presidente eleito, o partido estará no governo, usufruindo de suas benesses. Nesse quadro, quem melhor do que o herói andradeano para presidir a coisa?
Por falar em Marta, ela acusou Kassab de ter sido malufista, esquecendo-se que o partido de Maluf, o PP, faz parte da base aliada. Lula nem deveria tê-la apoiado no primeiro turno, pois havia dois candidatos governistas na disputa.
Há muita gente séria, principalmente historiadores, querendo mudar nossa História. A nação aguarda ampla reforma política e de costumes para colocar os políticos na linha e educar o eleitorado. Mas isso não é nada fácil, e o nosso candidato sem nenhum caráter resumiu sua opinião a respeito numa frase histórica: “Ai, que preguiça!”

Um comentário:

Flantuares disse...

Pois é, Castelo, eu votarei no Macunaíma.