sábado, 14 de novembro de 2020
Homero Condorero
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Meu amigo imaginário
sexta-feira, 13 de junho de 2014
A Pátria dos Bons
De vez em quando saio com o poeta Wender Cardoso para divulgar meu livro “Canção Pro Sol Voltar”.
Numa dessas cheguei à porta do Sindicato do Comércio Varejista de Guarulhos. O horário de expediente havia terminado e uma funcionária já havia fechado a porta e estava indo embora. Pensamos em dar meia volta, mas ela nos atendeu, tornou a reabrir e comunicou-se com alguns diretores que ainda estavam em reunião, fomos bem atendidos e vendemos alguns livros.
A historia como vimos é simples. Vendemos alguns livros. Os funcionários comuns ao terminar o expediente vão embora gozar de merecido descanso. Não tem obrigação de atenderem retardatários. Essa moça, mais do que zelosa funcionária, mostrou ter boa vontade, qualidade que merece elogios num mundo tão matemático como o nosso. Coloco como epígrafe no meu livro uma frase do poeta russo Ievgeny Evstushenko, do livro Autobiografia Precoce: ”Sou patriota da pátria dos homens bons”. O poeta rompeu com o comunismo porque queria cantar as coisas simples dos homens e da natureza, e seus líderes queriam que cantasse O trabalho, a Máquina, a Produção e o Sistema.
O mundo não se consertará com discursos demagógicos, arruaças, e muito menos com revoluções sangrentas. Mas atitudes simples como a da funcionária revelam que a pátria dos Homens Bons não está tão despovoada como pensam os pessimistas de plantão.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Meu par de sapatos
Eu devia ter
uns sete ou oito anos quando meu pai me comprou um par de sapatos. Até então eu
só andava descalço durante o dia, brincando na chácara onde morávamos, trepando
em goiabeira e catando goiaba, cavando a terra com as mãos ou uma colher velha,
fazendo bonecos de barro. Ou catando esterco de vaca para meu pai adubar a sua
horta. À noite eu, meus irmãos e a prima que morava conosco lavávamos os pés no
tanque, com sabão, e calçávamos tamancos. Depois jantávamos e íamos dormir. Era
uma vida sossegada.
Quando
mostraram os sapatos novos eu queria calçá-los imediatamente. Minha mãe falou
que eu os estrearia quando fôssemos à casa da tia Wally. Era a nossa tia rica,
morava em São Paulo, na Aclimação. Era a irmã mais velha do meu pai, e pelo menos
uma vez por mês íamos visitá-la. Nós, crianças, gostávamos da comida dela, dos
doces que ela sempre tinha, e dos carros que víamos passar no trajeto. Eu
gostava também do seu banheiro, da descarga, do papel higiênico, que me parecia
o máximo de chic. A partir de então, a próxima visita seria também a
oportunidade de estrear meu primeiro par de sapatos.
Aquele mês parece que durou uns noventa dias. Mas felizmente
chegou o feliz dia, e todo contente calcei meus sapatos novos. A alegria durou
pouco. Meus pés, acostumados com a liberdade reclamaram, e doeram muito. O
alívio foi quando chegamos à casa dela e eu pude descalçar. À noite, na hora de
voltar, vim descalço. Minha tia não tinha um par de tamancos para emprestar.
Por que
estou me lembrando disso agora? É que tenho medo que a Copa do Mundo seja o par
de sapatos novos do menino Brasil. A diferença é que parece que não estamos
esperando ela como a mesma ansiedade das copas anteriores. Ou com a mesma
ansiedade com que eu esperava o dia de visitar a minha tia.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
eu também sou assim de vez en quando,
quero fugir, mas eu não sei de quem,
quero partir, quero pegar o trem,
quero ficar en casa te esperando.
Quero voar, quero ganhar altura,
quero ficar num canto escomdido
se pemso que me encontro estou perdido,
fico invisível se alguém me procura.
Não sei se sou adulto ou sou menino,
não sei se sou maluco ou sou pateta,
não sei se sou bomzinho ou sou ruim,
não sei qual é na vida o meu destino,
não sei se sou assim por ser poeta,
ou se poeta sou por ser assim.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Árvore dos Problemas
ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.
O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu da seu carro
furou. A serra elétrica quebrou. Cortou o dedo. E ao final do dia, o seu
carro não funcionou.
O homem que contratou o carpinteiro ofereceu uma carona para casa.
Durante o caminho, o carpinteiro não falou nada.
Quando chegaram a sua casa, o carpinteiro convidou o homem para
entrar e conhecer a sua família.
Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da
frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente
tocou as pontas dos galhos com as duas mãos.
Depois de abrir a porta da sua casa, o carpinteiro transformou-se.
Os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso,
e ele abraçou os seus filhos e beijou a sua esposa.
Um pouco mais tarde, o carpinteiro acompanhou a sua visita até o
carro.
Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou:
- Porque você tocou na planta antes de entrar em casa ???
- Ah! esta é a minha Árvore dos Problemas.
- Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas estes
problemas não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.
- Então, toda noite, eu deixo os meus problemas nesta Árvore quando
chego em casa, e os pego no dia seguinte.
- E você quer saber de uma coisa?
- Toda manhã, quando eu volto para buscar os meus problemas, eles não
são nem metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior.
(Autor Desconhecido)
domingo, 21 de abril de 2013
Cachorros
que chega devagarinho,
depois se instala de vez.
Depois faz um calorão,
como pedindo perdão
pelo frio que à noite fez.
Os cachorros vira-latas
depois da noite sofrida,
felizes, deitam-se ao sol,
Não pensam no fim do mundo,
no alto custo de vida,
no preço da gasolina,
na final do futebol,
querem o sol, simplesmente.
Ao seu lado passa gente.
Passam todos apressados,
fortemente agasalhados,
em busca da condução
para não perder a hora.
O sol não lhes interessa,
seu dia-a-dia tem pressa.
Suas contas atrasadas,
suas vidas mal passadas,
sua angústia sem socorro.
Ah, se o sol nascesse pra todos!
Ah, se fôssemos cachorros!
Castelo Hanssen